Conversas imaginárias com meu pai
O caminho da aprendizagem
Lembro-me que trabalhava na oficina de chapeação do Hélio, meu cunhado. Devia estar entre 16 ou 17 anos de idade, por aí.
“Conte-me sobre seu trabalho”, perguntou meu pai. “Estou lá trabalhando na oficina de chapeação do Crespo, aprendendo a fazer as coisas. Eu gosto mesmo é de pintar, mas até agora ele só me colocou a pintar o fundo, eu queria mesmo era pintar a tinta definitiva, mas essa atividade é só para ele ou para o sócio dele”. “O que é esse fundo”, perguntou. “É uma base de tinta, uma pré-pintura, que, depois de aplicado, a gente ainda lixa e repara os escorridos e prepara para a tinta definitiva”, disse.
“Filho, você precisa ter calma. Pelo que entendi, esse fundo é uma aplicação de tinta preparativa para a pintura definitiva, que se escorrer ainda pode ser lixado. Na tinta definitiva não tem essa possibilidade, não é verdade? Certamente seu patrão viu que você ainda está aprendendo, e o fundo é uma boa prática. Esse é o caminho da aprendizagem”. “Verdade, meu pai, de fato, não me sinto pronto para essa tarefa”. “Apto, filho, apto para a pintura, pois pronto nem você e nem ninguém nunca fica. Pronto é um estado de perfeição inatingível. Sempre podemos melhorar em alguma coisa. Essa pintura de fundo é uma metáfora da aprendizagem”. Dito isso, mudou completamente de assunto e falou: “Você precisa pesquisar sobre os anéis de Saturno”. Então, abri os olhos, era mais uma conversa imaginária com o pai.
(Isabel, quer uma carona para os anéis de Saturno?)
De um ponto minúsculo do Universo, outono se despedindo, inverno se aproximando, saindo com a Clau para uma longa caminhada, em 20 de junho de 2020.
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