Conversas imaginárias com meu pai: o homem que calculava
Meu pai enviou um mensageiro à minha procura com a mensagem: 15.11-32. Tomei aquele bilhete e a primeira reação foi: “é verdade esse bilete?”. Pelo formato, vi que não se referia a datas, nem a horas, nem mesmo a coordenadas geográficas. Sim, era uma mensagem cifrada, bem a cara do meu pai. Minha sorte é que bem naquele instante passava por ali um grupo de pessoas entregando esses santinhos com dizeres bíblicos. Tomei um que uma senhora me ofereceu, e em vez de obrigado eu falei: "15.11-32". E ela: "Lucas, de volta para casa"!* "Obrigado", respondi. Decifrado, meu pai queria falar comigo.
"O que foi meu pai?", perguntei. Ele estava na horta pendurando um pé de chuchu na cerca. "Foi que eu estou sem saída para uma equação matemática que o 14 levantou, e enquanto não resolver isso não consigo me concentrar na história".
14 é meu irmão João, se fosse entrar na moda dos tempos atuais, seria Zero Oito. E o João Pedro, filho da Jaque e Preto, Zero Dois. Ficaria bem na parada a Scheila: Dez!
Eu era uma espécie de auxiliar de meu pai para questões sem importância. "Qual é a parada?", perguntei. "Eu estou ocupado aqui trançando este pé de chuchu na cerca, então vou deixar para você resolver a questão. Demonstre, em termos percentuais, algo dividido em 3 metades". "Deixe ver se entendi, dado A, dividir A em 3 metades, é isso?". "É!", disse ele.
Claro que meu pai já tinha a solução, ele certamente estava me testando. Dividir algo em 3 metades, essa agora, queria mesmo é acertar as contas com o Zero Oito, digo, 14.
"Meu pai, acompanhe comigo, tome A e divida pela metade, tome uma das metades e volte a dividir pela metade. Então teremos, em termos percentuais, primeira metade, 50%; segunda metade, 25%; terceira metade, os outros 25%, totalizando 100%".
"Agora posso completar a leitura da história do 14", disse meu pai. Bem, se bem o conheço, era um sinal que considerou razoável minha resposta.
Um dia que amanheceu nublado, mas a névoa certamente se dissipará em algum momento. Urubici, 20 de maio de 2020.
Charles
Fonte:
Lucas: 15.11-32
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